Belém, 22 de março de 2012.
quinta-feira, 22 de março de 2012
Aliterações Plúvicas
A melodia melancólica da chuva e o azul cinzento do céu me dão a dor e o tom para o próximo e pungente verso: Nem mesmo meus olhos, na mais nublada e dramática depressão, derramariam lágrimas tão tétricas como essas que agora caem ao meu lado.
segunda-feira, 19 de março de 2012
A magia da literatura
Na quinta-feira passada, eu numa loja popular do Shopping Doca Boulevard, surpreendo-me com um simpático senhor, comentando a dificuldade de ver o preço de um casaco... Após trocar umas duas palavras com ele, descubro tratar-se do poeta Ronaldo Franco, ao que me apresentei informando o local onde havíamos nos conhecido - a então redação da moribunda Província do Pará -, através de um grande amigo em comum: o saudoso jornalista, escritor e poeta Ronaldo Bandeira.
Nos cumprimentamos, rimos e ficou para mim a seguinte reflexão: AS LETRAS NÃO SE MOVEM SOZINHAS DE UMA GERAÇÃO PARA OUTRA; ELAS PRECISAM DE HOMENS, QUE AS RABISQUEM A OUTROS, E ASSIM POR DIANTE, PARA QUE SE FAÇA A MÁGICA DA LITERATURA.
sábado, 10 de março de 2012
ISENTO
Estou nu, liberto, deserto,
Estou simples, singelo, sincero,
Pronto para o próximo poema, dilema.
Despejando verdades, e moralidades.
Quero comer a realidade crua, sem temperos.
Dos erros, quero a pura ingenuidade.
Erguer-me sobre as impurezas da verdade.
Eu quero a cria, a rima fria.
Chega de congelados, de enlatados, de plus.
Só quero a cara. Sem máscaras, sem maquiagem.
Quero a vida, limpa, isenta, não pronta.
Só para eu viver claro.
Puro, inseguro.
Só para eu começar.
Tudo.
De novo.
Sozinho.
Erguer-me sobre as impurezas da verdade.
Eu quero a cria, a rima fria.
Chega de congelados, de enlatados, de plus.
Só quero a cara. Sem máscaras, sem maquiagem.
Quero a vida, limpa, isenta, não pronta.
Só para eu viver claro.
Puro, inseguro.
Só para eu começar.
Tudo.
De novo.
Sozinho.
Belém, 10 de março de 2010.
sábado, 28 de janeiro de 2012
Proporção
Sou meu próprio diamante e minha própria cinza;
enfim, meu próprio universo.
Meu arbítrio não é livre, é liberto.
Sou do tamanho de minhas próprias verdades.
Minha crença é própria, não emprestada.
Minha crença é própria, não emprestada.
Meu amor próprio é a medida de tudo que tenho.
Se eu me achar rico, é na minha simplicidade.
Na verdade, eu sou Deus, na medida de minha fé.
domingo, 22 de janeiro de 2012
Convite
Venha comigo povoar o infinito com sementes de paixão
Descobrir a vida em desertos de solidão
Achar amor nas fossas da desilusão
Vem, sabendo que a certeza
É só mesmo mais um grão
Que bem regado, então
Abre-se rosada flor,
Mas sem água,
Não
Descobrir a vida em desertos de solidão
Achar amor nas fossas da desilusão
Vem, sabendo que a certeza
É só mesmo mais um grão
Que bem regado, então
Abre-se rosada flor,
Mas sem água,
Não
Ávidas palavras
A vida, palavras
Há vida, palavras
À vida, palavras
Ávidas palavras.
Há vida, palavras
À vida, palavras
Ávidas palavras.
Reescrevendo
Do intervalo de cada sílaba
Retiro restos de ressentimento
Tento esvaziar as palavras
Das sobras de angústia e solidão
E construir um novo verbo
com fonemas renovados
pela sintaxe da esperança,
cheio amor desinencial
Tento imprimir-me no espírito
uma gramática da paz
rabiscar com lápis lúcidos
serenidades substantivas
Retiro restos de ressentimento
Tento esvaziar as palavras
Das sobras de angústia e solidão
E construir um novo verbo
com fonemas renovados
pela sintaxe da esperança,
cheio amor desinencial
Tento imprimir-me no espírito
uma gramática da paz
rabiscar com lápis lúcidos
serenidades substantivas
E assim, escritor do futuro,
tentarei conjugar insistentemente
o equilíbrio na intensidade
rimar paixão com sanidade
Criar a sentença quase perfeita
Refazer minha existência frasal
Encontrar a cadência adequada
Isenção semântica pra todo o mal.
John Charles Torres
Belém (PA), 22/01/2012.
tentarei conjugar insistentemente
o equilíbrio na intensidade
rimar paixão com sanidade
Criar a sentença quase perfeita
Refazer minha existência frasal
Encontrar a cadência adequada
Isenção semântica pra todo o mal.
John Charles Torres
Belém (PA), 22/01/2012.
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